Dez jogadores que me fizeram amar ainda mais o futebol.

Capítulo I — O batismo: Diego Maradona.

O futebol é a arte do engano — diz Maradona em um trecho do documentário de Asif Kapadia

Foram dois amigos a me convidar para esse divertido desafio: um rubro-negro baiano, Marcos Thomaz e outro carioca, Ronaldo Paes Barbosa. Dez dias, um jogador a cada vinte e quatro horas e só uma imagem — sem a necessidade de palavras a descrevê-la. Basta postá-la para que assim demonstremos o quanto foi importante para nossa formação como amantes do futebol.

Vou ignorar solenemente a observação sobre não usar palavras para iniciar esse decálogo a partir daquela que foi a minha primeira Copa do mundo, México 1986; e o primeiro craque a me fazer enxergar o jogo de um jeito totalmente diferente do que os outros queriam que eu enxergasse.

Lembro que passei a Copa do Mundo inteira esperando um lance de magia dos pés de Zico, estrela da companhia por essas paragens. O galinho andava um tanto baleado e a seleção, só fui perceber depois com o distanciamento histórico necessário, era já uma versão anêmica da canarinha de 1982. Ainda assim fomos até as quartas-de-final, fizemos um belo jogo contra os franceses, mas ficamos pelo caminho. Foi meu batismo de lágrimas: vi meus tios e um vizinho, já homens barbados, chorando e reclamando de Sócrates, Zico e Júlio César. Voltei pra casa e no quarto sozinho aos soluços me peguei realizando o improvável cálculo: — Agora que o Brasil está fora, vou torcer pra quem? Não sei bem porque, mas decidi que ia torcer pela Bélgica.

Nas semifinais, a Bélgica ia enfrentar a Argentina e eu, tolinho, estranhei porque todo mundo no dia, também estava torcendo por flamengos e valões contra nossos irmãos sulamericanos. Torci pela Bélgica quase o tempo inteiro, até acompanhar o segundo gol da Argentina. Maradona, que já tinha cunhado La Mano de Diós nas quartas, se infiltrou driblando pela defesa dos belgas, deu um toquinho no contrapé do goleiro, deu uma volta ao redor da própria órbita e quase caiu catando cavaco enquanto comemorava. Era aquilo que eu tava procurando: ritmo, habilidade, capricho e o desequilíbrio necessário que transforma em arte, a torrente de vinte e duas almas vagando atrás de uma bola. A Argentina ganhou, todo mundo na sala da casa da minha vó esbravejou quando o jogo acabou, mas eu fiquei feliz porque conheci Diego Armando Maradona, o primeiro e até hoje mais intrigante personagem que o futebol me apresentou.

OBS.: A propósito, a imagem é a foto de capa do imperdível documentário Diego Maradona de Asif Kapadia (2019).

uma péssima influência

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