Dez jogadores que me fizeram amar ainda mais o futebol.

Capítulo VI — O jogador total

G.O.A.T — Greatest of all times

Rosário, Argentina, é a terra natal de dois gênios da raça, mas o temperamento de um deles, Lionel Messi, está longe da paixão subversiva do outro conterrâneo mais famoso, o médico-herói da Revolução Cubana, Ernesto Che Guevara. Contudo, em uma cancha, poucas vezes se viu marcha tão obstinada quanto a de Messi. Passos rápidos e curtos, executados em velocidade superlativa. Uma ideia em jogo. Ideia que se põe em movimento e deixa adversários para trás. Uma revolução silenciosa que reivindica a posse. A posse como filosofia. A bola, só ela. Nada mais importa. Cruyff, carismático astro holandês responsável por transformar o jogo bonito do Barcelona em plataforma cultural, talvez seja a referência mais próxima do que seja revolução para o tímido Lionel Messi.

De sua boca espera-se o lema, quer-se o flerte, o clamor em sua postura; mas o que ele oferece é esmero, ritmo e repetição. Os mesmos dribles, os chutes que partem sempre dos mesmos lugares, a discrição como hábito, a rotina. Como, em nome de Deus, alguém tão alheio ao que está fora do campo — e que muitas vezes é o que faz desse jogo algo tão fascinante — pode ser tão inspirador?

Diz-se que Che é famoso por palavras que nunca disse:

"Hay que endurecer sin perder la ternura jamás."

No caso de Messi talvez seja o caso de lembrar que sim, a palavra inspira. Mas é o exemplo que arrasta.

Messi é isso, o exemplo que arrasta.

uma péssima influência