Dez jogadores que me fizeram amar ainda mais o futebol.

Capítulo IV — A maioridade.

Zidane em mais uma exibição de gala contra o Brasil: "Quem corre é a bola, jogador!"

Era pra ser em dez dias. Tinha que citar um jogador a cada vinte e quatro horas, escolher uma só imagem e toda aquela lenga-lenga do desafio que você, querido leitor, já está cansado de saber, imagina de ler?

Então, seguindo a toada da quarentena à brasileira, resolvi que é hora de uma retomada consciente e se a toada é consciência, me parece obrigatório trazer Zinedine Zidane pra prosa. Se Maradona foi o primeiro amigo de infância, o craque que me ajudou a enxergar a fantasia além do jogo; Zizou pra mim foi como uma espécie de primeiro chefe. Aos 21 anos, não tinha lenço nem documento quando ele me ofereceu a oportunidade de chegar à maioridade com uma lição em plena Copa: o tempo de bola.

Zidane já era ídolo na Juventus, maior time da Itália, era tão grande quanto outro dos nossos carrascos históricos, Michel Platini. Mas aqui, no Brasil, só se falava em Penta, Romário, Bolas de ouro e O Fenômeno. Tudo era velocidade, potência, explosão; até que nos deparamos com a França na final. Zidane marcou dois raros gols de cabeça e a França desfilou em campo. Naquela época foram poucos os que conseguiram enxergar o jogo como ele foi: Zidane jogava um futebol mais brasileiro que o próprio Brasil.

O refinado meia marselhês jogava em outra rotação, era outro tempo. Um moderno em traje clássico, daqueles jogadores que parecem coordenar todos os gestos técnicos em campo. Oito anos depois de assistir o futebol de Zidane gritar em alto e bom som — ENVELHEÇA! — vi ele repetir uma atuação magistral de novo contra o Brasil. Diferente da primeira vez, Zidane sequer fez gol, mas eu já era homem feito: tinha filha, mulher e apartamento quando ele distribuiu lençóis, rolinhos e tapas na bola que pareciam pinceladas naquelas quartas-de-final da Copa da Alemanha. Como se fosse a primeira vez, vi Zinedine Zidane passar de passagem por Ronaldo e Ronaldinho como se recitasse Oração ao Tempo pra eles: tempo, tempo, tempo… Zidane é Caetano puro.

uma péssima influência