Dez jogadores que me fizeram amar ainda mais o futebol.

Capítulo V — O símbolo Edmundo.

Edmundo dando cerveja ao macaco — 1997

Talvez nem faça mais sentido lembrar, mas isso aqui deveria ter acabado em dez dias. Em meu favor posso argumentar que há questões bem mais urgentes sendo negligenciadas por aí, então não há problema em seguirmos juntos nesse errante percurso em busca de memórias afetivas sobre o futebol.

No capítulo de hoje vou falar sobre o símbolo, o símbolo Edmundo. O seu adeus à camisa 10 do Vasco foi há 8 anos em um amistoso Jogo de Despedida contra o Barcelona de Guaiquil — que fora adversário na final da única Taça Libertadores conquistada pelo Gigante da Colina em 1998. Eu mesmo fiz pouco caso em relação a essa despedida, não senti nada demais nos dias que antecederam a partida e cheguei ao desatino de dizer que aquilo era “apenas” simbólico (como se isso fosse pouco). Até que chegou o dia do jogo e eu percebi a bobagem que tinha dito. Mais, compreendi porque o futebol virou um jogo pintado de cinza, recheado de estatísticas e jargões. Afinal, o que há de mais importante no jogo de bola do que sua simbologia?

Abrindo o mar vermelho — Três gols, recorde e eliminação rubro-negra.

O Edmundo que se despedia naquele dia ganhara “só um título de expressão” com a camisa do Vasco. Foi o mesmo que balançou os bagos para a Força Jovem quando jogava no Flamengo. Foi ele quem isolou o pênalti mais importante da história do Vasco. O Animal que foi, sem dúvida, o mais carismático jogador que vi vestir a cruz-de-malta, também foi o mesmíssimo jogador que me irritou ao abandonar o campo antes do jogo acabar (com raiva do time do qual era capitão) em uma partida contra o Santos em São Januário. Edmundo se envolveu em um acidente grave que culminou com a morte de duas pessoas, foi condenado e preso por isso. Chamou um árbitro cearense de “paraíba” após ser expulso de uma partida em Natal, no Rio Grande do Norte. Objetivamente, nós, os vascaínos teríamos motivos de sobra para odiá-lo, mas não, Edmundo é amado pela torcida do Vasco.

Edmundo, Juninho e Felipe juntos pela última vez em campo.

E a resposta é simbólica: a torcida do Vasco se via no jogo do Edmundo. Porque o símbolo precede a linguagem, quanto mais a razão. Os jovens sentiam-se representados por sua rebeldia em campo, pais, tios e avós gostavam de dividir o afeto — ora destinado a filhos, sobrinhos e netos — perdoando cada nova explosão de raiva do Edmundo, temperamental. Havia malícia, deboche e paixão demais na bola que o Edmudo jogava. Símbolo desse futebol anárquico, o último amador. Infelizmente, essa espécie não tem mais vez na fauna do futebol, mas mantém-se intacta no coração dos torcedores. Ahhh é Edmundo!!!

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