O marqueteiro no Brasil, uma breve história.

Aquele tête-à-tête ao final do Roda Viva entre João Santana e Fernando Rodrigues foi um fecho de ouro para quem compreende um tanto das entrelinhas na relação entre imprensa, poder e marketing.

O impeachment de Fernando Collor foi uma espécie de gênese do marketing político moderno no Brasil. Exemplo claro: boa parte dos jornalistas responsáveis pelas reportagens que demoliram o Governo Collor se tornaram, logo em seguida, consultores de imagem e/ou gestores de crise de políticos em campanhas eleitorais. João Santana e Mário Rosa, para ficar só em dois dos nomes mais famosos na área, assinaram reportagens que ganharam Prêmio Esso à época.

A esses nomes se somam homens da publicidade como Duda Mendonça, Nelson Biondi, Nizan Guanaes e está criado o arquétipo do marqueteiro no imaginário da política brasileira. De 1994 a 2006, fortunas se construíram a base de muito talento e caixa dois nas campanhas eleitorais pelo Brasil. Até que surge o Mensalão e com ele, o personagem chamado Marcos Valério.

Diferente dos grandes talentos da área, o marqueteiro Marcos Valério era um empresário obscuro. Dono de agência que havia trabalhado com os Tucanos em Minas e que resolveu aproveitar o mesmo modelo de “remuneração” para receber recursos via Caixa Dois com o PT no Governo. De 2006 em diante, o dinheiro que abundava em campanhas eleitorais começou a rarear. E os grandes nomes do marketing político se espalharam pela América Latina exportando nosso know-how.

A Lava-Jato quando se estabelece como ponto de inflexão no ambiente político já atua em uma conjuntura em que os grandes do marketing político já formam uma espécie de oligopólio.

João Santana e sua esposa Monica Moura são presos. Duda Mendonça assina delação. Mario Rosa é implicado na Operação Acrônimo. Aos poucos todos os grandes foram caindo com o avançar das investigações sobre financiamento de campanhas eleitorais.

João Santana que voltou hoje ao centro do Roda Viva já não era o mesmo para a imprensa que lá lhe inquiria. A opinião de João que no auge de sua influência no comissariado petista — como diz Elio Gaspari, serviu para a imprensa muitas vezes de baliza para entender o contexto político no país; hoje voltou à cena como eco da ruína. Mas não deixa de ser curioso ver João Santana se enraivecer ao ser acusado de mentiroso por um ex-colega jornalista e devolver a acusação entregando a pontinha do iceberg de uma relação de lobby entre imprensa e homem com acesso ao poder.

Por fim, não deixa de ser curioso que campanhas como a de Alckmin, Serra e Aécio vastamente abastecidas de talento e caixa dois — assim como as petistas, não tenham reservado a alguns de seus mais proeminentes marqueteiros ao mesmo ocaso por que passaram os companheiros que prestaram seus serviços à esquerda.

uma péssima influência

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